A educação básica é um bom negócio

O programa Educate a Child (EAC), liderado pela sheikha Moza bint Nasser, esposa do emir do Qatar, publicou em fins de 2013 um estudo em parceria com a Results for Development (R4D) sobre a presença das crianças na educação básica ao redor do mundo. Parte da iniciativa consiste em mostrar que investir nos primeiros anos pode colocar em curso transformações sociais imprescindíveis nos países pobres e em desenvolvimento. A outra visa expor seus benefícios econômicos em longo prazo. Continuar lendo

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Tributo à memória

O livro das minhas vidasDurante anos uma mulher vive sob a mira de um atirador de elite. Ele aponta na direção de seu quarto e a tem sob vigilância constante. Jamais descansa. Ocasionalmente dispara contra a mulher e os projéteis sobrevoam sua cabeça, esfacelando memórias na parede de alvenaria perfurada ao longo da eternidade dos anos do cerco a Sarajevo. Ela suspira aliviada e agradece: ele atira para alertá-la que tem o poder para lhe tirar a vida, mas opta por não fazê-lo – o atirador é um homem bom. Continuar lendo →

A guerra interior de Kevin Powers

“O diabo mora ao lado, nunca em minha casa”.

Essa imagem pode ser extrapolada para além das fronteiras continentais quando irrompe um conflito armado da natureza da Guerra do Iraque. O discurso patriota diz “o mal está do outro lado”, e a ele seguem os discursos políticos, midiáticos, a propaganda, o boca a boca. Se o mal está em outro lugar, o bem somos nós. Assim, é fácil combater um inimigo que chafurda na própria lama moral, o assassinato está justificado. O soldado que hesita não mata e corre o risco de ser morto – nesse sentido toda guerra é maniqueísta. Nos EUA pós-11 de Setembro nasce uma nova forma de xenofobia, que transforma todo um credo em terrorismo quando identifica o muçulmano como habitante dessa lama. Kevin Powers dá voz a esse discurso quando coloca palavras na boca do coronel diante do pelotão em Pássaros amarelos, seu romance de estreia: Continuar lendo →

O riso de aprovação de Thomas Bernhard

 AscoA literatura se renova a partir de si mesma. Não há linearidade; tudo retorna ainda que séculos se interponham entre cada ciclo. James Joyce restaurou a epopeia de Homero milhares de anos após a Odisseia, e revisitando um clássico criou outro, ambos fundamentais. As tragédias shakespearianas ainda ecoam atuais e transpuseram oceanos, ganharam o Novo Mundo – Machado de Assis, o grande romancista brasileiro, agradece. Raduan Nassar, mais recente, também. Paulo Leminski, sucesso post mortem das redes sociais, deve parte do sucesso dos próprios haicais a Bashô, poeta do século XVII. Camus agradece a muitos: talvez sem Kierkegaard, Kafka e Dostoiévski, o profeta do absurdo seria apenas um jornalista comum e Jean-Baptiste Clamence, o protagonista moralmente ambíguo de A queda, não chegaria nem a uma ideia. Continuar lendo →

Início das atividades

Dou início a este blog sem grandes pretensões, mas esperando cumprir apenas um objetivo: propagar, ainda que minimamente, um pouco da cultura estrangeira em nosso solo, a mais distante, sem deixar de falar também do patrimônio cultural, especialmente literário, de nossa querida Terra Brasilis.

O foco será a literatura, talvez o cinema também, e o que mais julgar interessante. Ainda assim, estou livre para deixar que o Unus Mundus aponte para o seu próprio destino. Seja qual for, eu o seguirei.

Assim, dou as boas vindas a quem visita esta página e a quem fica perplexo com a capacidade de criação do homem, para o bem ou para o mal, e com toda a sua carga de sofrimento e labor, indissociáveis.

Solução Final contra a loucura

Às portas do Inferno de Dante há uma inscrição: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Setecentos anos depois e do outro lado do Atlântico, uma instituição brasileira conhecida como “sucursal do inferno” promove algumas das mais dantescas cenas de nossa história. Na ocasião, outro italiano, Franco Basaglia, importante nome da reforma psiquiátrica, visita o local. Horrorizado, exprime: “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo presenciei uma tragédia como esta”. Mas de que tragédia fala Basaglia? Continuar lendo